1. Admitimos que éramos impotentes perante o jogo – que nossas vidas se haviam tornado ingovernáveis.

Nós, de Jogadores Anónimos, acreditamos que nosso problema de jogo é uma doença emocional, de natureza progressiva, que nenhuma quantidade de força de vontade humana pode deter ou controlar. Temos factos que dão suporte a essa crença. Uma ou outra vez, acreditamos que todos os nossos problemas podiam ser resolvidos com um grande ganho. Alguns de nós, pateticamente, mesmo depois de um grande ganho, encontraram-se em pouco tempo no meio de dificuldades ainda maiores. Continuamos a jogar. Descobrimos que havíamos arriscado a perda da família, de amigos, segurança e empregos. Ainda assim continuamos a jogar. Jogamos até o ponto onde o resultado foi a prisão, insanidade ou tentativa de suicídio. Ainda assim continuamos a jogar e éramos incapazes de parar. Tornamo-nos vítimas da crença de que se apenas os nossos problemas financeiros pudessem ser resolvidos, seríamos capazes de parar de jogar ou até de jogar como pessoas normais. Muitas vezes juramos que não jogaríamos de novo, acreditando que tínhamos a força de vontade para parar de jogar. Acreditamos numa mentira. Acreditamos que tínhamos o poder de parar ou de controlar o nosso jogo. Nossa incapacidade de olhar honestamente para o nosso problema de jogo permitiu-nos continuar a jogar. Apesar de toda a evidência do nosso passado, ainda negávamos a verdade sobre o nosso jogo.

Ao entrarmos para Jogadores Anónimos, precisamos desenvolver a capacidade de olhar honestamente para o nosso jogo. Este é o primeiro passo no nosso processo de recuperação. Sem honestidade, não podemos admitir a nossa impotência perante o jogo. Precisamos honestamente aceitar, admitir e render-nos incondicionalmente a essa impotência, para continuar a nossa recuperação. Quaisquer reservas que tivemos ou que ainda temos, de que podemos voltar a jogar, significa que ainda acreditamos que não somos impotentes perante o jogo e que ainda não admitimos ou aceitamos nossa impotência (ou temos poder sobre o jogo ou não temos).
Quanto àqueles membros que têm dificuldade para admitir sua impotência perante o jogo, deveriam escrever a respeito do seu jogo e sobre a destruição que este causou e suas incontáveis tentativas inúteis de parar de jogar. Usar as “Vinte Perguntas” como um guia. Escrever extensamente, detalhadamente e usando especificamente cada uma das perguntas como um ponto central de foco. Apenas com a tomada de consciência e a aceitação da desesperança, desamparo e desespero de nossa situação (como jogadores compulsivos), é que podemos desenvolver a abertura mental requerida para o Segundo Passo.

2. Passamos a acreditar que um poder superior a nós mesmos poderia trazer-nos de volta a um modo normal de pensar e viver.

Tendo ficado convencidos no Primeiro Passo da nossa impotência diante do jogo e da ingovernabilidade das nossas vidas, agora é-nos dito que apenas um Poder superior a nós poderia restaurar-nos a um modo de vida normal de pensar e de viver. (ISTO SIGNIFICA QUE NÃO PODEMOS FAZER ISSO POR CONTA PRÓPRIA).
Nesse ponto, precisamos começar a desenvolver a abertura mental. Pois apenas começando a ter uma mente aberta é que podemos começar a entender o verdadeiro significado do Passo. A maioria, se não a totalidade de nossos membros, encontrou resistência ou relutância para lidar com um Poder Superior. A idéia de um poder maior do que nós, que nos restaura a um modo normal de pensar e de viver, não é aceite facilmente por nós. Todavia, se verdadeiramente acreditamos que somos impotentes perante o jogo, e que temos uma doença que irá progressivamente destruir as nossas vidas, então precisamos desesperadamente de uma solução para a nossa doença.
Neste Passo, é-nos dito que existe uma solução. A nossa solução é viver num programa de recuperação espiritual. Esse Programa de Recuperação Espiritual acontece por meio de uma mudança de caráter progressiva, que não pode ser conseguida através da força de vontade. Necessitamos de uma fonte de poder maior do que nós para fazer com que aconteça essa mudança. A mudança ocorrerá ao prosseguir-se com o trabalho exigido nos Passos restantes. O que surgirá com o trabalho é uma compreensão e prática de gentileza, generosidade e humildade, dentro de nós e junto aos outros, que levará eventualmente a uma crença num Poder de nosso próprio entendimento.
Nesse ponto, muitos de nós precisaram examinar por que nos recusávamos a acreditar num Poder Superior a nós próprios. Descobrimos que alguns dos obstáculos que nos impediam de tentar acreditar eram: orgulho, ego, egocentrismo, rebeldia e ostentação. Para que possamos recuperar-nos de nossa doença, esses obstáculos precisam ser eliminados. É aqui que nossos padrinhos nos podem ajudar. Podem compartilhar connosco as suas experiências, de como fizeram para superar a sua resistência ao acreditar num Poder Superior. Descobrimos que um bom método de ajuda é escrever sobre a nossa resistência. Precisamos colocar no papel como os obstáculos nos bloquearam e nos levaram a recusar-nos a aceitar um Poder Superior.
Muitos de nós não compreenderam completamente o que seria esse Poder Superior. Nesse ponto, apenas era necessário aceitar que houvesse um. Muitos de nós usamos o nosso padrinho, outros membros ou a Irmandade como sendo este Poder Superior, mas eventualmente, ao continuarmos com o trabalho exigido nestes Passos, viemos a acreditar que esse Poder Superior fosse um Deus do nosso próprio entendimento. Precisamos ter a honestidade para encarar a nossa doença, a abertura mental para aceitar a solução que nos é transmitida, e a disposição de aplicar essa solução, continuando com o processo de recuperação destes passos.

3. Tomamos a decisão de entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados deste poder (do nosso entendimento).

Somos impotentes perante o jogo – nossas vidas tornaram-se completamente ingovernáveis – então, descobrimos no Segundo Passo que a ajuda estava disponível. Pergunta a ti mesmo se queres ajuda e vais descobrir que certamente precisas de ajuda, ou não terias vindo para Jogadores Anónimos. Se for para deter essa doença, precisas de toda a ajuda que conseguires obter. Portanto, mantém a mente aberta e vai em frente ao Passo 3.
O que precisa ser feito? De início, apenas toma a decisão, de modo que mais tarde possas entregar tua vontade e tua vida ao teu Poder Superior. Essa disposição é a acção que se pede no Passo 3.  Neste ponto, podes “protestar”: - Não acredito em Deus, assim sendo este passo não pode ser feito. Pode ser feito se deres conta de que Jogadores Anónimos é uma Irmandade espiritual, não uma Irmandade religiosa. Com uma mente aberta, começas a descobrir que não és mais um solitário. Na verdade, através de Jogadores Anónimos estamos unidos. Somos verdadeiramente cada um, parte do outro. Essa união espiritual não pode ser explicada, assim parece que um Poder Superior está a agir.
Quando cessa o jogo, fecha-se uma porta aos horrores passados aos quais sobreviveste. Uma visita ao passado, para que não esqueças de passar por lá, traz remorsos e auto-piedade, duas armadilhas mortais para jogadores compulsivos. Ao encerrar-se a porta para a vida passada, abre-se a porta para uma nova vida. Não havia esperança ou fé, agora há. Podes ver o programa de Jogadores Anónimos a funcionar. Desse modo, tu progrides para o programa de recuperação e, eventualmente, para o Passo 3.
À medida que vais desenvolvendo através do Programa, coisas acontecem que parecem ser coincidências, mas será que são? Um caso sem esperança pára de jogar, um membro há muito tempo desempregado consegue trabalho, e até o extremo acontece – um membro insano recebe sua sanidade de volta. Coincidências? Fazes coisas boas e coisas boas acontecem.
Lidar com as alegrias e tristezas de cada dia, vai certamente e aos poucos tornando-se um modo de vida. Não precisas de jogar hoje e vai-se tornar melhor do que jamais foi. O progresso pode ser lento, mas estás grato por aprender o que é realmente a espiritualidade. O amor ao dinheiro é um enorme problema, quando a maioria das pessoas chega ao Programa. E daí o dinheiro vai para o seu devido lugar. Não é nada mais do que uma ajuda para um modo de vida muito satisfatório – não é mais um fim em si mesmo. Não mais são os objectos materiais a única meta e ambição. Não se pode comprar saúde, humildade, valor próprio, auto-estima, felicidade e todas as outras coisas fundamentais para um modo de vida sereno e contente. Estas recompensas precisam ser merecidas. Um Poder Superior e tu, caminhando lado a lado, podem a cada dia trabalhar juntos para que possas tornar-se melhor do que jamais foi. Aceita isto como frutos de um plano de mestre. Aprende o anonimato e outras partes saudáveis de uma vida espiritual completa. Ao pedir ao teu Poder Superior que te ajude a passar o dia sem fazer uma aposta, receberás a ajuda que procuras. Esta é a essência do Passo 3.
Como? Honestidade, abertura mental e boa vontade. Esta antiga fórmula funcionará para ti tal como funcionou para muitas outras pessoas.

4. Fizemos um minucioso e um destemido inventário moral e financeiro de nós mesmos.​

Confia no Poder Superior e então faz a limpeza da casa.
Os três primeiros Passos lançaram o fundamento para o Passo 4 - a rendição à impotência perante o jogo e a incapacidade para resolver os problemas nas nossas vidas. A seguir aceita um parceiro sénior muito superior a nós, para te guiar e acompanhar através dos Passos restantes. Juntos podemos alcançar muito, o que sozinhos não podemos realizar.
O Passo 4 – agora estás na área de “limpeza da casa” da tua vida. Começa já uma intensiva busca interna, para localizar o que puderes de culpa – e de coisas boas – que puderes revelar. Esta busca é saudável e prática, porque a culpa acumulada e adormecida tem sido uma inimiga por muito tempo. A maioria dos jogadores compulsivos cobriu essa culpa com uma fachada inteligente chamada racionalização. No passado, a racionalização ludibriou-nos fazendo com que acções muito más parecessem menos más e até boas. Honestidade e apenas honestidade pode fazer cair essa fachada enganadora. É quando podes vêr exactamente como é, talvez pela primeira vez na tua vida. Encara honestamente os erros financeiros e emocionais que foram feitos, para que possas então perdoar-te.
Ao fazer o Passo 4, como revelarás toda a culpa: Uma leitura completa do “Guia para o Inventário do Quarto Passo”, disponível através do teu grupo, pode ajudar muito. A seguir, uma abordagem autobiográfica parece indicada, começando com a sua primeira aposta ou até antes. À medida que se vai caminhando, muitas áreas de culpa, há muito esquecidas, surgirão à mente. Talvez venhas a identificar algumas das seguintes: excesso de indulgência, ambição, mentiras, desonestidade, fracasso em aceitar a responsabilidade, autodestruição, destruição dos outros, desperdício excessivo de tempo, arrogância, ressentimento, ciúmes e muitas outras. A culpa é pessoal, portanto a própria pessoa precisa buscá-la.
A tua mente provavelmente voltar-se-á para os teus entes queridos e o dano a eles causado: o recebimento de uma grande dose de insegurança. Essa culpa precisa ser completamente assumida, para que não caiamos na tentação de lidar com ela mais tarde através da volta ao jogo. Ao fazer honestamente o teu inventário, examina cada incidente que puder recordar os teus dias de jogo. Isto inclui as coisas que fizeste e as que deixas-te de fazer: o abuso físico e o verbal, que deixou uma marca para a vida inteira. Ocorreu muita manipulação das pessoas, que lhes tirou o direito de conduzir as suas próprias vidas.
Não há dois jogadores iguais e, no entanto, nenhum é único. Cada um de nós tem seu próprio cúmulo de culpas, que precisam ser desenterradas. Depois de descobrir e cavar essa culpa, veremos que é necessário livrar-nos delas. Os Passos que se seguem mostrarão como se faz isso. Ao praticar esses Passos, poderás alcançar um melhor modo de vida, baseado em sólidos princípios que levam à recuperação.
Com a ajuda do teu Poder Superior, podes reconhecer a culpa, ao trabalhar o Quarto Passo. O Nosso Poder Superior, tal como nós O entendemos, pode fazer por nós aquilo que nós próprios não podemos fazer.
Tendo completado o Passo 4, e tendo acumulado o seu peso pessoal de culpa, podes livrar-te dela no Passo 5, e descobrir que és uma boa pessoa. Daí – a vida boa pode ser conservada um dia de cada vez.

5. Admitimos a nós mesmos e a um outro ser humano a natureza exacta das nossas falhas.​

Sugere-se que este Passo seja feito logo após o término do Passo 4, enquanto os factos revelados pelo Passo 4 ainda estão presentes na nossa mente. No Quarto Passo, pode-se escavar dentro de ti, já que a maioria dos jogadores compulsivos acumulou fardos de culpa. No Quinto Passo, podemos livrar-nos dessa culpa e lidar com os problemas quotidianos. Sempre se pode olhar para o passado, e temos que fazer isso para repararmos o mal causado, mas não precisas viver com tua bagagem pessoal de culpa.
A tarefa seguinte é escolher alguém para te ajudar com o Passo 5. A pessoa deve preencher dois requisitos: que tenha a experiência e a sabedoria para ajudar a encarar a situação com maior clareza e que seja uma pessoa que manterá a conversação absolutamente confidencial. Talvez o teu padrinho seja a escolha lógica, ou um bom amigo – tu é quem precisa fazer a escolha. Lê novamente o Quarto Passo e usa as tuas anotações como uma agenda. Honestidade, mente aberta e sinceridade farão com que todo o processo o transcorra suavemente. O teu ego, que não vai gostar da idéia de expor erros passados a um outro ser humano, rapidamente aceitará essa atmosfera saudável. Passarás a ver mais claramente depois do Passo 4 e esse discernimento permanecerá. O Auto-conhecimento não tem limites. A tua recém-descoberta serenidade irá capacitar-te a ouvir calmamente e aprender. A tua consciencialização irá de facto acelerar-se. O teu alívio por ter-se livrado dessa culpa enorme.
A humildade, uma característica pessoal muito difícil de ser definida, parece escapar daquele que pensa sentir que a possui. Assim sendo, precisas procurar tornar-te numa pessoa bem ajustada e, ao fazer isso, ganhar a humildade que ignorávamos ter. Não trates este Passo levianamente, nem minimizes a importância dele. Aqueles que deram este Passo têm a sensação de que é preciso livrar-se da culpa, e a acção tomada através deste Passo é a maneira correcta de o fazer.
Livrar-se da culpa seguindo da forma como é sugerido irá ajudar-te de muitas maneiras. A honestidade contigo mesmo vai-se acelerando, à medida que claramente vês a tua culpa. Vais deixar de te sentir um caso isolado. Ao invés disso, irás agregar-te à raça humana, sabendo que não estás sozinho. Aquilo que o Programa ensina torna-se real. Verás que não há dois jogadores iguais, mas que ainda assim ninguém é original. Ao entrar para o Programa, tem-se agora um sentimento de se estar a ser compreendido. Assim, não estarás mais sozinho – e saber isso representa uma enorme alegria. Porém, quando surgem os conflitos, tende-se ao afastamento dessa maravilhosa união. Entretanto, o Quinto Passo ajuda a resolver esses conflitos, e podes dizer para o mundo inteiro: “Sou um ser humano!”.

6. Ficamos inteiramente dispostos a ter esses defeitos de caráter removidos.​

  • Alguns dos nossos Defeitos de Caráter:
  • Raiva
  • Inadequação
  • Arrogância
  • Intolerância
  • Ansiedade
  • Inveja
  • Fanatismo
  • Preguiça
  • Vaidade
  • Falta de decoro
  • Julgamento alheio
  • Desonestidade
  • Remorso
  • Egoísmo
  • Ressentimento
  • Falso Orgulho
  • Vingança
  • Medo
  • Indiferença com os outros
  • Frustração
  • Auto-piedade
  • Ódio
  • Preocupação somente com o próprio interesse
  • Impaciência
  • Preocupação

Não é fácil fazer uma limpeza na casa, especialmente quando a sujidade se foi acumulando por tanto tempo. Na sua maioria, os jogadores compulsivos esgueiram-se pela vida escondendo-se de si mesmos, e agora lutam para remover essa máscara, para que possam ver a si mesmos.
No Passo 4 descobrimos muitos erros e depois dessa descoberta empenhamo-nos para trazer esses erros à tona. No Passo 5, admitimos e discutimos esses defeitos com outra pessoa.
O alívio foi extraordinário. Vais sentir como se fosse capaz de fazer isso, se praticou o Programa e pediu e aceitou a ajuda do teu Poder Superior.
No Sexto Passo é preciso trabalhar esses defeitos de caráter e eliminá-los, caso desejes a melhor chance possível de deter esta doença. Dizem-nos que os defeitos de caráter e as emoções negativas são realmente perturbações da serenidade. Empenha-te pela serenidade e evita que pequenas coisas o atrapalhem com teu objetivo. Nos velhos dias, tudo incomodava. Agora, a nossa tomada de consciência impedir-nos-á de voltarmos ao antigo modo de vida.
A tua lista actual de defeitos de carácter é o melhor lugar para começar. Baseado no teu recém-adquirido auto-conhecimento, escolhe um para começar. Um defeito é o que consegues tratar de cada vez. Se escolheres o teu pior defeito, qualquer sucesso irá certamente ajudar quando lidares com os outros.
Fica disposto a ir devagar mas sempre, e dá-te conta que todos os seres humanos têm defeitos de carácter, mas, ficar com eles pode levar-te de volta ao jogo. Não deves submeter-te a essas perturbações da serenidade, porque estarás com isso, a colocar um peso indevido na tua recuperação.
De início, podes sentir-te confortável com alguns desses defeitos e ficas com receio de te livrar deles. Mas com o tempo, verás a necessidade de mudança e verás que esses velhos inimigos precisam partir.

7. Humildemente pedimos ao deus (de nosso entendimento) que removesse as nossas imperfeições.

Neste momento, pede-se que procures remover, através do teu Poder Superior, os teus defeitos de carácter. Será que isto é realmente necessário? Certamente que é! Os defeitos de caráter formavam a maior parte das razões pelas quais jogávamos. Assim sendo, manter esses defeitos pode levar-nos de volta ao jogo.
Por exemplo, vamos pegar num defeito – a raiva. Vamos supor que entras numa discussão, não lidas com ela da melhor forma, e acabas por ficar cego de raiva, e a raiva transforma-se em fúria. Daí, sentes que alguma coisa precisa ser feita para aliviar esse sentimento terrível e odioso e recorres ao que te vem com naturalidade – o jogo. No passado, como tu mesmo sabes, aquela dor causada pela raiva era aliviada, pelo menos temporariamente, pelo jogo. O jogo compulsivo é uma resposta aprendida, inadequada para a vida. Precisas de te livrar das perturbações que adquiriste com o jogo.
O que pode ser feito para evitar tal recaída? Primeiro, precisas de ter o desejo de remover esse defeito. Dando-se conta que essa fraqueza podes destruí-lo, esse desejo vem mais facilmente se tiveres consciência do que está em risco. No caso de seres um masoquista, o desejo de mudar pode vir mais devagar. Assumindo, porém, que queres é viver, procura entender este Passo como indicado e humildemente pede ao teu Poder Superior que remova o defeito.
Pedir humildemente por ajuda? Uma boa pessoa que nunca fez mal a ninguém, a não ser a si mesmo? Quando sobreviveste por tanto tempo por tua própria conta, como podes, humildemente pedir ajuda? Analisa o teu registo passado com absoluta honestidade. Foste realmente um ganhador? Esta visão honesta sobre os teus anos caóticos deveria convencer-te que a raiva precisa ir embora, mesmo que só um pouco de cada vez. Apenas podes concentrar-te num defeito de cada vez. É um processo mais lento, mas permite-te concentrar mais claramente. E, também, trabalhar os defeitos individualmente é mais confortável, para a maioria.
A esta altura, aprender a lidar com as coisas é uma nova aventura. É algo que muitos recusaram ou foram incapazes de fazer, antes de entrar para Jogadores Anónimos. A princípio, isto é estranho, mas cada vez que lidas com uma situação, tornas-te num especialista nesse tipo de situação. Quando abandonas o mundo real, resvala para a raiva irracional. Agora deverias ser capaz de reconhecer que alguma coisa está errada. Agora, precisas recolocar-te no caminho certo, para poder lidar com o dia de hoje. A raiva, o defeito no qual estavas a trabalhar, ainda pode ser um problema. Vai assustar-te, quando reagires com tão pouco controle. A raiva poderia levar-te de volta às apostas, através do ódio e do ressentimento criados. Não podes ficar com raiva: ela é um inimigo, não um amigo.
A cada dia, pratica o comedimento, até que, com a vontade de Deus (aqui qualquer Deus em que acredites), tenha formado um belo novo hábito, um hábito positivo. Hoje, a raiva deveria estar sob controlo e não pode levar-te de volta à tua adicção. Sente-te bem a respeito disso. O mesmo procedimento pode então ser aplicado a outro defeito. Agora podes ver como o teu Poder Superior pode remover defeitos, se o teu Poder Superior optar por isso.

8. Fizemos uma lista de todas as pessoas a quem prejudicamos e tornamo-nos dispostos a fazer reparações a todos pelo mal causado.

No teu inventário do Quarto Passo, elaboraste uma lista das ações impróprias que fizeste, bem como das realizações boas, construtivas. No Sexto Passo, fizeste uma lista dos defeitos de caráter. Agora, o Oitavo Passo pede-te que faças mais uma lista. Esta, para identificar todos a quem causaste mal e, daí, para prontificar-te a fazer reparações a todas elas.

Bem no topo da lista coloca o teu nome – não tenhas a menor dúvida sobre essa escolha. Prejudicaste-te espiritual, emocional, física e financeiramente.
Prejudicas-te a tua família, os teus colegas de trabalho, o teu empregador, membros da igreja ou alguma outra pessoa?
E o que vem a ser um dano, afinal de contas?
  Causar dano a alguém parece ser abusar dos outros e tirar deles o direito de levar as suas próprias vidas. Os membros de nossa família amavam-nos e não éramos capazes ou não estávamos dispostos a corresponder a esse amor. Talvez, em lugar disso, tenhamos falhado em prover adequadamente por eles.
Aquilo significa roubar? Talvez, à medida que a adicção progredia, roubamos tudo o que fosse possível, da nossa família ou de quem quer que estivesse por perto.
Uma coisa é certa: roubamos tempo e isso nunca mais pode ser recuperado. Problemas com dinheiro poderão eventualmente ser resolvidos, mas o tempo perdido foi-se para sempre. Com a ajuda do nosso Poder Superior e com o Programa, em funcionamento, um dia de cada vez, nunca mais iremos perder tempo ou dinheiro, a não ser que optemos por voltar a jogar. A escolha é nossa: jogar e arriscar a progressiva deterioração, ou não jogar e desenvolver um modo melhor de vida.
Mentimos? Mentimos para quem, e quantas mentiras dissemos?
Ao fazer esta lista um bom discernimento é vital. Não pressuponhas danos. Examina cada caso e coloca-o na lista, se achares que prejudicaste alguém. Uma boa medida é perguntar-te se ao omitir um nome, esse nome poderá voltar à tua mente mais tarde e ficar a “pairar” na rua consciência. Se a resposta for sim, acrescenta aquele nome. Digamos que desperdiças-te muitas horas de trabalho, enquanto esperavas e preparavas as tuas acções de jogo. Agora, com o teu novo modo de vida, podes mostrar ao teu chefe alguém de mente clara, que podes trabalhar adequadamente, produzindo mais que o esperado.
Se objetos ou dinheiro foram roubados, tudo deveria ser devolvido de uma maneira prática. No caso de um roubo cuja autoria ficou desconhecida, o ladrão dificilmente pode devolver os seus ganhos ilícitos, sem colocar em risco a si e sua família; mas ele poderá deixar o dinheiro num envelope não identificado, para fazer a restituição do roubo.
Portanto, esses tipos de danos deveriam ser colocados na lista. O método pelo qual fará a restituição será mostrado no Passo a seguir. Para ser perdoado, precisamos primeiro perdoar às outras pessoas, depois a ti mesmo. Por isso, não deixes fora da lista uma pessoa que foi prejudicada, mas que também te tenha causado mal. O objetivo como um todo é reparar os danos que foram causados – nada mais importa. Este Passo inicia o teu retorno à sociedade. Quando bem feito, todos os medos se dissiparão e ficarás livre para falar e movimentar-te como uma pessoa normal.
A lista deve incluir todas as pessoas a quem prejudicaste. Depois de te prontificar a oferecer reparações, serás capaz de reassumir um papel benéfico na sociedade, geralmente pela primeira vez em muitos anos.

9. Reparamos os danos causados directamente a essas pessoas sempre que possível, excepto quando a reparação implicasse em prejudicá-las ou a outras.

Fazer reparações directas significa fazê-las pessoalmente, sempre que possível. Se grandes distâncias tornam tal encontro impossível, talvez um telefonema, seguido de uma carta, possa resolver o assunto. Quanto ao método escolhido, a pergunta a que poderia ser feita é: - Estou a seguir o Programa, e a engolir os meus sapos, ou procuro um caminho mais suave e mais fácil? No íntimo do nosso coração, precisamos estar seguros de que causamos o dano e ter a mesma segurança em relação ao método escolhido para fazer as reparações.
Que reparações deveriam ser feitas em primeiro lugar? Volta ao Quarto Passo e é bem possível que já tenhas feito ou tenhas começado a fazer reparações. Às vezes, as pressões decidem essa questão, embora esse talvez não seja o melhor caminho. Os agiotas poderão assustar-te mais do que os proprietários de casas de jogo clandestino, então poderias reagir ao medo, e começar com eles, depois poderão vir os tais proprietários de casas clandestinas e a seguir os bancos. Em último lugar, virão os amigos e os familiares, porque não tens medo deles. Na verdade, eles deveriam ser provavelmente os primeiros na tua lista, excepto se tiveres cometido um crime que te possa levar ao tribunal e à prisão.
A solução para essas questões pode ser achada numa reunião eficaz do grupo de alívio de pressão. Geralmente, no meio de toda esta confusão, vai ser sugerido que se peça a cada credor uma moratória. Esse tempo extra vai-te dar a chance para que a reunião do grupo de alívio de pressão se realize e para que seja elaborado um curso de acção que, a seu tempo, irá livrar-nos de todas as pressões das dívidas, e proporcionar uma capacidade de gerenciamento para o novo modo de vida.
Essa reunião de alívio de pressão pode cobrir as áreas conjugais, legais e financeiras.
É uma abordagem objetiva – a ajuda virá de pessoas experientes, que já passaram por essa situação. O sucesso de uma reunião destas depende da completa abertura, da vontade do cônjuge em cooperar com o plano e do desejo contínuo de seguir em frente, até terminar. É igualmente importante que o membro sozinho também tenha uma reunião de alívio de pressão.
Ao aproximar-se daqueles que foram prejudicados pode-se pressupor saber como reagirão ao esforço. Procura não antecipar as reações deles – as suas reações são imprevisíveis. Neste ponto, é preciso ter honestidade.
Enquanto esta honestidade estiver presente, podes apresentar os danos correctamente e a maneira como pretendes tentar fazer-lhes reparações. Pode-se ter que enfrentar um longo período de pagamento das dívidas; em alguns raros casos, talvez, a tarefa dure a vida inteira.
Lembra-te que passaste muito tempo no jogo para chegar a este ponto e pode levar mais tempo ainda para restituir. A recuperação da adicção é um processo para toda a vida.
Esses erros podem ser corrigidos pela prática dos Passos na tua vida diária. Pode-se ouvir em Jogadores Anónimos: - Precisamos colocar em prática o que dizemos. A prática dos Passos resulta em crescimento pessoal e a família beneficia com isso. Abstendo-se do jogo, seguindo o Programa e fazendo reparações, gradualmente retornarás à sociedade. E o respeito a ti mesmo, ausente por tanto tempo, começa a voltar.
Fazer reparações nem sempre significa apenas restituir dinheiro. Podes não ter tirado dinheiro dos teus sogros. Podes tê-los tratado muito mal ou com indiferença. Pensa também nos teus companheiros de trabalho, nos teus professores, vizinhos, etc.

10. Continuamos a fazer um inventário pessoal e quando estávamos errados, admitimo-lo prontamente.

Agora que progredimos através dos primeiros nove Passos, deveríamos estar prontos a mantê-los com os últimos três Passos. A cada dia, faz um inventário. Esse inventário é só para hoje e mostra claramente se o dia foi usado com sabedoria ou não. O balanço diário vai-te ajudar a identificar o crescimento pessoal, à medida que te consciencializas que estás a conseguir realizar coisas que antes não conseguias. Esse é um sentimento benéfico que gradualmente aumenta o valor pessoal e a auto-estima. Transformar o “amor a si” – uma fantasia – em “amor-próprio” é uma realidade.
Ao fazer o inventário, procura o crescimento pessoal, não a perfeição. Por exemplo, faz uma lista contendo cinco itens que desejas conseguir. À noite, o inventário poderá revelar que apenas  realizas-te três. Contenta-te com os três. Lembra-te dos muitos dias, meses e até anos, quando tentavas lembrar-te de uma só coisa de natureza positiva, que tivesses feito. Procura o progresso diário, não a perfeição. O crescimento pode ser lento e pequeno, mas sê grato pelo progresso feito. A capacidade de lidar com as coisas talvez seja a recompensa mais valiosa que receberás do Programa. Não é mais necessário evitar um problema ignorando-o ou deixando-o de lado. Com alguns problemas, principalmente no início, poderás lidar de maneira menos convincente. E daí? Não evites as responsabilidades e à medida que vais lidando com elas, numa base diária, vai-se tornando mais habilidoso. Um dia de cada vez torna-se uma vida inteira. Alguns de nós tendem a querer conseguir demais; tendemos a assumir tarefas para as quais ainda não estamos prontos. Ou somos novos demais no Programa para lidar com um problema daquela dimensão ou somos ambiciosos demais. Vai com calma, um pequeno progresso a cada dia é uma grande satisfação. Talvez possamos fazer-nos duas perguntas a cada dia: Ajudei outra pessoa hoje?
Contribuí para a harmonia do meu mundo hoje?
Sugere-se que não sejam feitas grandes mudanças durante os dois primeiros anos de abstinência. O desequilíbrio mental e emocional que trouxemos para Jogadores Anónimos necessita de tempo para sarar. Passados dois anos, os nossos pensamentos já estão mais claros e o sucesso está muito mais ao nosso alcance. A abstinência, combinada com a recuperação física, mental e emocional, dar-nos-á uma capacidade lógica de lidar com as coisas.
A segunda parte do Passo é por vezes mais difícil. Admitir prontamente que estamos errados significa que nos tornamos um pouco humildes e que podemos livrar-nos do artifício, da arrogância, do falso orgulho e de outros defeitos de caráter. Se consegues admitir imediatamente que estás errado, estás verdadeiramente a adquirir uma visão mais profunda de ti próprio. Admitir livremente que o outro lado está certo, alegrar-se por eles, e até mesmo apreciar o confronto e a crítica construtiva, é um passo gigantesco. Este Passo e os dois seguintes, se feitos cada dia, ajudarão a manter o crescimento diário.
Uma outra opinião é que os Passos de Um a Nove nunca são completados e deveriam ser regularmente repetidos.

11. Procuramos através da oração e meditação melhorar nosso contato consciente (sob a forma que o concebemos), pedindo somente pelo conhecimento da sua vontade perante nós e a capacidade de realizá-la.

A sensação de estar mantendo os Passos deve ser boa. O Passo Onze pede-nos que melhoremos o nosso contato consciente com Deus, tal como o entendemos. Os Passos Dois e Três tornaram-nos conscientes de que os recursos humanos não eram suficientes, muito embora quando a maioria entrou em Jogadores Anónimos achou que essa ajuda humana seria suficiente. Eventualmente, fomo-nos consciencializando que a nossa adicção significava que precisávamos utilizar toda a ajuda possível. Agora, precisamos aprender melhor como comunicar com nosso Poder Superior. Como podemos receber a maior ajuda possível? Como podemos combinar a ajuda do Poder Superior com a ajuda humana? Iremos precisar das duas.
Na época dos dias de activa, essa comunicação era virtualmente impossível. Naqueles dias, a maioria de nós sentia-se indigna, envergonhada e excluída desse contacto vital. Procuravamos ajuda, mas não oferecíamos nada de nós. Quando nos sentimos excluídos, não fazemos qualquer esforço para nos comunicar com nosso Poder Superior.
Ao aproximarmo-nos do Passo Onze, dois pontos parecem importantes. Um deles é se este Passo é necessário; e o segundo é se este Passo ajuda a controlar o ego. Precisamos deste Passo?
Falando com outros membros, será dito que precisas de toda ajuda que puderes obter. Também te será dito que alguns problemas, que podem ser a porção destinada à tua pessoa, não podem ser solucionados apenas pelos recursos humanos. A ajuda está disponível – então decide-te a fazer uso dela. Custe o que custar, faz o que for necessário fazer para evitar retornar ao jogo ou à personalidade do jogador compulsivo.
O segundo ponto a ser considerado é o ego. Aqueles que já estão no Programa há algum tempo, vêem como o ego é capaz de mudar. De uma extrema falta de valor, o ego pode expandir-se em segundos até a um tamanho muito grande e nada saudável. Quando o ego incha, a mente fecha-se a novas idéias. Principalmente àquelas que não são as nossas. Então o nosso Poder Superior torna-se desnecessário. “Podemos resolver tudo sozinhos”.
Está na hora de apagarmos essa maneira de pensar e substituí-la por outra que aceite um Poder Superior no comando e que, portanto, não “inchará” até o ponto de perdermos o controle. À medida que vais crescendo no Programa de Jogadores Anônimos, o ego vai ficando mais saudável, com a aprendizagem. O antigo ego, a fonte de muito stress, desconforto, muita impaciência e ansiedade, será substituído por um ego sereno e amante da paz.
Um contacto consciente parece começar com a oração diária. O que é uma oração? Para alguns, é uma conversa pessoal com o seu Poder Superior. Assim, cada um de nós pode orar como achar apropriado. Aceitando a tua fraqueza, procurarás a vontade do teu Poder Superior e a força para realizá-la. Procura pela vontade do teu Poder Superior, pois estás cego quanto ao plano maior. Diariamente, agradeça ao seu Poder Superior pela graça de mostrar-lhe a Sua vontade.
No início, é difícil orar, e podes “fazer de conta” até saber como fazê-lo. Com o tempo, passarás a aceitar a prece com entusiasmo e conhecerás as recompensas que isso te trará.
À medida que tentas lidar com os novos problemas que a vida oferece a cada dia, a oração aumenta a capacidade de lidar com eles.
A meditação é a prece num estágio ainda mais profundo de desenvolvimento espiritual. Quando se reza a Oração da Serenidade, o esforço de concentração está na prece inteira. Se quisesses meditar concentrar-te-ias numa palavra ou num pequeno grupo de palavras. Serenidade, coragem ou sabedoria seriam um bom começo. Examinar as palavras assim torna a oração mais significativa e faz com que te tornes mais consciente do teu lugar na ordem humana. Isto é um simples início de meditação e ajudar-te-á a desenvolver esta prática significativa.
O resultado final parece ser um reconhecimento mais completo de quem realmente és em relação a Deus e aos seres humanos. O teu sucesso agora é o sucesso Dele e os teus fracassos, aceita-os como teus, para procurar aprender com eles.
Deus dar-te-á a força para realizar a Sua vontade, caso procures a Sua vontade e a Sua força.

12. Tendo feito um esforço para praticar estes princípios em todas as nossas questões, procuramos levar esta mensagem a outros jogadores compulsivos.

Este é o Passo mais popular de todos os Passos. Até os membros recém-chegados desejam dar de si. Todavia, a questão principal parece ser que não é possível dar-se algo que não se possui. Por outras palavras, não podes levar o Programa de Recuperação à outra pessoa, a não ser que estejas a praticar os Doze Passos na tua vida – um dia de cada vez. Só assim terás uma mensagem de grande poder para transmitir.
Indaga a ti mesmo se este é um programa espiritual – e ele é. As chances são que a tua falência espiritual foi completa. A maioria de nós, no início de nossa carreira no jogo abandonou os nossos valores espirituais. Agora, à medida que esses valores voltam a surgir, tu, com gratidão irás querer compartilhá-los com outros membros, assim como certa vez foram compartilhados contigo. Ouvir e escutar as experiências pelas quais os outros membros estão a passar, é provavelmente a primeira oportunidade que terás de ajudar. Às vezes, ensinamos quando deveríamos ouvir. O ouvir, simplesmente, comunicará aos outros a sua própria compreensão do que estão a dizer. Vamos reflectir. Lembras-te de como a tua auto-estima estava baixa quando vieste à tua primeira reunião de Jogadores Anónimos? Não tinhas qualquer fé, e portanto, nenhuma esperança. À medida que ouvias e falavas, e eventualmente olhavas para ti mesmo e para os outros (que pareciam felizes em volta da mesa), a fé e a esperança foram retornando aos poucos.
Recorda-te que o primeiro membro que encontraste veio cedo para a reunião, compôs a mesa, tirou do armário os livros e tratou do café. Ele estava a fazer o trabalho do Décimo-Segundo Passo? Sim, estava, ao mostrar-te que ele se importava contigo e com todos os outros membros. Importar-se com os outros, parece ser um ingrediente necessário e de grande relevância para que se trabalhe este Passo. Se não te importas, como podes então compartilhar?
Então, aquele membro que se importava disse-te que o Programa era e precisava ser de auto-ajuda. E daí explicou um outro paradoxo de Jogadores Anónimos. Se procurares ajudar outro ser humano, beneficiarás do acto de dar, mesmo se os teus esforços falharem. É dando que recebemos, e assim torna-se em auto-ajuda. Lembra-te de duas palavras – esforço e tentativa. O sucesso neste Passo é fazer o esforço e tentar transmitir a mensagem – não é quantos te deram ouvidos ou seguiram os teus conselhos.
Quando saíste da reunião, tinhas que voltar à destruição que havias causado. Forneceste o número do teu telefone e recebeste uma lista de números de telefone. Provavelmente, estavas muito tímido ou envergonhado para fazer uma chamada, mas no dia seguinte ou nos primeiros dias um membro ligou-te. E não foi tanto o que foi dito, mas sim o facto de que alguém se importou o suficiente para fazer essa chamada. Isso serve para revitalizar a tua fé e a tua esperança. Novamente, importar-se, mostrar interesse, engloba todos os bons elementos do crescimento espiritual.
Quando começaste a sair da confusão mental em que te encontravas, tinhas um padrinho e nutrias a esperança de que ele te desse tempo, experiência e sabedoria. Este contrato não escrito de ajudar outra pessoa parece representar o grau mais elevado do trabalho do Décimo Segundo Passo. É o importar-se no seu mais alto nível.
A seguir, algumas das muitas maneiras pelas quais podes praticar o Décimo-Segundo Passo:
Sê um exemplo de abstinência com qualidade.
Acompanha outro membro numa visita do Décimo-Segundo Passo.
Visita membros doentes.
Telefona para membros.
Conversa depois das reuniões com os novos membros ou com aqueles com problemas.
Assume algumas das tarefas, obrigações e responsabilidades da Irmandade.
Explica a tua doença aos seus parentes e como a tens vencido, a médicos e empregadores.
Conte a tua história para ajudar um companheiro.
Faz trabalho de relações públicas.
Pratica o Programa de Jogadores Anônimos.

título do depoimento:

título do depoimento: “ Só por hoje...”
depoimento: Sou uma pessoa com um percurso normal de vida a nível familiar, académico e profissional. Tive uma infância feliz, uma adolescência igual à de tantos outros e uma chegada à idade adulta normal. 
A minha primeira experiência com o jogo de casino aconteceu tinha eu 31 anos pela mão de um namorado que gostava de jogar. Rapidamente passei a acompanhá-lo com alguma regularidade ao local de jogo. Não jogando ativamente comecei a tomar consciência de que o cheiro, o barulho, as cores, não me eram indiferentes. 
Penso que terá sido nessa época que o gosto pelo jogo “entrou” na minha vida.
Todos os problemas inerentes à adição de jogo do meu namorado fizeram com que essa relação acabasse, e durante nove anos não voltei a entrar em nenhum casino, nem a pensar em jogo. 
Um dia por convite de amigos voltei. 
Sem me aperceber passou a ser o local eleito para passar um final de noite e beber um copo. Continuei a não jogar, apenas a observar os outros a fazê-lo. A frequência aumentou até que numa tarde decidi ir sozinha, primeiro a medo, depois com a confiança de um jogador que acha que pode controlar tudo. 
Aí começa a minha adição que rapidamente se transforma em compulsão. 
Joguei durante cinco anos fazendo o percurso normal de um jogador, contraindo créditos, mentindo, manipulando e entrando em depressão. 
Em algum momento tomei consciência de que tinha um problema com o jogo, o que me levou a pesquisar na internet e a ter o meu primeiro contacto com Jogadores Anónimos, depois de ter respondido às 20 perguntas.
Lembro-me que uma amiga me acompanhou à primeira reunião e que fui recebida por pessoas que me compreenderam e ajudaram. Conheci o programa dos 12 passos, e como muitas vezes acontece a um jogador que não está preparado para mudar de vida, assim como entrei, mais depressa desisti. 
O resultado de continuar a jogar foi que a compulsão aumentou, ao ponto de numa noite perder o ordenado de um mês. 
Tornei-me uma pessoa inquieta, ansiosa, solitária, sem esperança, com baixa autoestima e cheia de dívidas. Tinha chegado ao fundo do meu poço.
Por imposição de familiares acabei por voltar a Jogadores Anónimos. Era agosto, mês de férias em que apenas se realizava uma reunião ao sábado. Senti alívio ao ouvir novamente pessoas com o mesmo problema, com histórias de vida semelhantes à minha e que não me julgaram.
No entanto, o jogo é manhoso, desconcertante e poderoso e duas semanas depois voltei a jogar. Hoje sei que ainda não tinha “baixado” os braços e feito o primeiro passo do programa. Admitir para mim própria que sou impotente perante o jogo, que tenho uma doença, uma adição para toda a vida.
Regressei novamente a Jogadores Anónimos frequentando as três reuniões semanais, ouvindo as partilhas - sugestões dos companheiros, arranjando uma madrinha e acima de tudo aprendendo a ser honesta comigo própria.
Ler a oração “Só por Hoje”, durante os primeiros meses, foi uma das ferramentas que me permitiu, entre outras, e com a ajuda dos meus companheiros, estar há quatro anos sem jogar, um dia de cada vez. 
Não tem sido um percurso fácil.
Mas só por hoje não jogo, só por hoje vou tentar ser uma melhor pessoa, só por hoje vou viver...
Este relato da minha vida de jogadora e adita ao jogo só foi escrito, porque entrei neste programa de autoajuda, e nestas salas, onde só olho para as semelhanças e não para as diferenças.
Esta nova vida, sem dúvida, devo-a ao apoio que me tem sido dado e ao meu envolvimento, desde o início, neste programa, que me permite estar em abstinência e Recuperação, um dia de cada vez (+ 24h
 
 
 
título do depoimento:Chegadepoimento:Finalmente percebi qual era o meu problema, não era ser diferente dos outros. O problema era simples, Eu não posso jogar, não podia jogar. Admiti que tenho uma doença, baixei os braços e pedi ajuda. Hoje passados alguns meses sinto-me um homem livre e melhor conhecedor de mim mesmo. Recuperei a minha relação com as pessoas que me rodeiam e experimento um bem-estar que já não sentia a muitos anos. Tudo devo aos Jogadores Anónimos e a sua Família. Se tiverem dificuldades não hesitem, não destruam mais a vossa vida. Os Jogadores Anónimos são o local indicado.