Destruição do Lar

16-10-2017 20:03

 

Maria
  a destruição do lar
depoimento: Boa tarde,


Há cerca de uns meses, descobrimos que o meu pai tinha usado todo o dinheiro que havia de poupança em raspandinhas e placard. Isso para nós só foi evidente quando ele na segunda semana do mês já pedia-me dinheiro, munido de mil desculpas. Foi assim que fomos verificar todas as contas e que percebemos que já nem para comer havia dinheiro e que ele fazia levantamentos de 40 a 80 euros diários, quando havia mais dinheiro os levantamentos eram superiores, para matar o vício. Associamos logo ao jogo, pois haviam 3 transferências da Santa Casa da Misericórdia, e já mais do que uma pessoa tinham comentado connosco que o viam sempre no Quiosque nas raspadinhas. Quando o confrontamos ele admitiu e pediu o nosso silêncio porque tinha vergonha, e prometeu-nos que não ia jogar mais e que isso ia acabar. Tudo mentira! Voltou ao mesmo cenário, a gastar tudo o que tem num curto espaço de tempo, e não admite...Trata-nos mal, anda sempre ansioso, "vidra" a ver os jogos em que aposta e quando perdem fica irritado e arrogante, e diz que é feliz a jogar e que se gastar todo o dinheiro a jogar não temos nada a ver com isso, entre outros comportamentos desajustados...
A questão está, ele não admite, o que podemos fazer? 


Agradecia ajuda porque o nosso desesspero é grande!

 

título do depoimento:

título do depoimento: “ Só por hoje...”
depoimento: Sou uma pessoa com um percurso normal de vida a nível familiar, académico e profissional. Tive uma infância feliz, uma adolescência igual à de tantos outros e uma chegada à idade adulta normal. 
A minha primeira experiência com o jogo de casino aconteceu tinha eu 31 anos pela mão de um namorado que gostava de jogar. Rapidamente passei a acompanhá-lo com alguma regularidade ao local de jogo. Não jogando ativamente comecei a tomar consciência de que o cheiro, o barulho, as cores, não me eram indiferentes. 
Penso que terá sido nessa época que o gosto pelo jogo “entrou” na minha vida.
Todos os problemas inerentes à adição de jogo do meu namorado fizeram com que essa relação acabasse, e durante nove anos não voltei a entrar em nenhum casino, nem a pensar em jogo. 
Um dia por convite de amigos voltei. 
Sem me aperceber passou a ser o local eleito para passar um final de noite e beber um copo. Continuei a não jogar, apenas a observar os outros a fazê-lo. A frequência aumentou até que numa tarde decidi ir sozinha, primeiro a medo, depois com a confiança de um jogador que acha que pode controlar tudo. 
Aí começa a minha adição que rapidamente se transforma em compulsão. 
Joguei durante cinco anos fazendo o percurso normal de um jogador, contraindo créditos, mentindo, manipulando e entrando em depressão. 
Em algum momento tomei consciência de que tinha um problema com o jogo, o que me levou a pesquisar na internet e a ter o meu primeiro contacto com Jogadores Anónimos, depois de ter respondido às 20 perguntas.
Lembro-me que uma amiga me acompanhou à primeira reunião e que fui recebida por pessoas que me compreenderam e ajudaram. Conheci o programa dos 12 passos, e como muitas vezes acontece a um jogador que não está preparado para mudar de vida, assim como entrei, mais depressa desisti. 
O resultado de continuar a jogar foi que a compulsão aumentou, ao ponto de numa noite perder o ordenado de um mês. 
Tornei-me uma pessoa inquieta, ansiosa, solitária, sem esperança, com baixa autoestima e cheia de dívidas. Tinha chegado ao fundo do meu poço.
Por imposição de familiares acabei por voltar a Jogadores Anónimos. Era agosto, mês de férias em que apenas se realizava uma reunião ao sábado. Senti alívio ao ouvir novamente pessoas com o mesmo problema, com histórias de vida semelhantes à minha e que não me julgaram.
No entanto, o jogo é manhoso, desconcertante e poderoso e duas semanas depois voltei a jogar. Hoje sei que ainda não tinha “baixado” os braços e feito o primeiro passo do programa. Admitir para mim própria que sou impotente perante o jogo, que tenho uma doença, uma adição para toda a vida.
Regressei novamente a Jogadores Anónimos frequentando as três reuniões semanais, ouvindo as partilhas - sugestões dos companheiros, arranjando uma madrinha e acima de tudo aprendendo a ser honesta comigo própria.
Ler a oração “Só por Hoje”, durante os primeiros meses, foi uma das ferramentas que me permitiu, entre outras, e com a ajuda dos meus companheiros, estar há quatro anos sem jogar, um dia de cada vez. 
Não tem sido um percurso fácil.
Mas só por hoje não jogo, só por hoje vou tentar ser uma melhor pessoa, só por hoje vou viver...
Este relato da minha vida de jogadora e adita ao jogo só foi escrito, porque entrei neste programa de autoajuda, e nestas salas, onde só olho para as semelhanças e não para as diferenças.
Esta nova vida, sem dúvida, devo-a ao apoio que me tem sido dado e ao meu envolvimento, desde o início, neste programa, que me permite estar em abstinência e Recuperação, um dia de cada vez (+ 24h
 
 
 
título do depoimento:Chegadepoimento:Finalmente percebi qual era o meu problema, não era ser diferente dos outros. O problema era simples, Eu não posso jogar, não podia jogar. Admiti que tenho uma doença, baixei os braços e pedi ajuda. Hoje passados alguns meses sinto-me um homem livre e melhor conhecedor de mim mesmo. Recuperei a minha relação com as pessoas que me rodeiam e experimento um bem-estar que já não sentia a muitos anos. Tudo devo aos Jogadores Anónimos e a sua Família. Se tiverem dificuldades não hesitem, não destruam mais a vossa vida. Os Jogadores Anónimos são o local indicado.